quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ENTRE O ROSTO E O RETRATO

*Às vezes paro um tempo pra olhar as fotos antigas que estão guardadas na cômoda do quarto da minha mãe. Invariavelmente isto acontece quando vou procurar algo que eu cismo possa estar no referido móvel. O único local em que o objeto que eu estou caçando não pode estar é na última gaveta da cômoda do lado esquerdo (ela tem duas), mas não tem jeito. Sempre abro a gaveta e escolho algum dos álbuns. Fotografias de um tempo em que era preciso por um filme na câmera. Tempos em que as fotos não tinham tanta qualidade, onde a tecnologia digital não havia se proliferado. Penteados estranhos, roupas esquisitas... "Vixe! Como esse povo (incluindo eu) era esquisito!" 

*Final da última semana fui procurar por lá uma pasta e acabei indo cascavilhar mais uma vez as fotos que, eu acho, são visitadas apenas por mim, mesmo que de era em era. Nem passo muito tempo olhando. Me apego mais a objetos que a imagens. Meu violão, por exemplo, não desgrudo. Deve estar comigo há mais de 10 anos, presente do meu pai. Mas enquanto passo os olhos pelas fotos sempre me vêm à mente as imagens do passado. Fotografias devem existir pra isso, né? Deve ser... Ao ver as imagens na parede branca do quarto de minha mãe, imediatamente fechei o álbum, guardei e voltei sem a pasta que procurava.

*Sou um homem do presente. Sofro quando perco algo ou com a partida de alguém, mas o tempo trata de me acariciar. Depois, o desapego me domina. Não me importo com o passado, com o que fiz de certo ou errado e... nem que com o que perdi. Dificilmente irei me importar também com quem partiu (apesar de apreciar, sim, as boas lembranças). Sou um homem do presente... Mas até sinto falta dos meus cabelos longos.



*Hoje em dia chove fotografias nas redes sociais. São tempos em que até aparelhos celulares registram imagens... Tudo digital e manipulável. Difícil saber o quanto de verdade existe em cada rosto fazendo biquinho. Mas não é da minha conta!

"Entre o rosto e o retrato, o real e o abstrato..." Gessinger  

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

SEGUINDO O PRÓPRIO RITMO

*Às vezes ocorrem comigo algumas mudanças comportamentais que provocam estranhamento naqueles que convivem comigo. Um pouco mais de silêncio, uma intensidade de sorrisos um pouco menor que a habitual e pronto. "O que está acontecendo?" Na verdade este processo costuma se apresentar em todas as pessoas normais. Porém, naquelas mais ativas parece provocar um impacto grandioso. É como se os ditos "hiperativos" nascessem com incumbência única de transmitir alegria a todos, em qualquer momento, independente do que esteja este passando ou mesmo da sua necessidade interior, que por vezes pede calma e reflexão.

*Emoção a flor da pele. Acarreta fragilidade; sensibilidade. Surge de repente, nem tão de repente. Fatos que se sucedem mas que, sem que percebamos, nos obrigam a travar batalhas internas de análises profundas.  Pelo menos aos que aceitam o combate. Sempre me sinto um vencedor.

*Mas há sempre dois pontos de vista: o seu e o do resto do mundo. Enquanto você cresce mirando para dentro, aos olhos do mundo parecerás mais subjetivo. É difícil as mentes alheias compreenderem o quanto é importante seguirmos o nosso próprio ritmo. Isto é muito animal. Isto é puro instinto. É preciso parar um pouco a caminhada e retomar os passos apenas no momento em que conseguirmos nos reencontrarmos, compreendermos exatamente o que nos levou ao inevitável período de introspecção.

*Ritmo. É preciso seguir exatamente o ritmo que o nosso momento exige... E ele é próprio... E até o silêncio tem seu próprio ritmo... E este é meu. Só meu.

*E os olhos do mundo? Dane-se! Às vezes é preciso cuidar mais de si e menos do mundo...


*Lembre-se: enquanto fitas pra dentro, vão te acusar de triste. Não esqueça: isto é apenas o que enxerga o olhos do mundo.

Forte abraço com os olhos do coração!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

POBRE ILUSÃO


*Quantas vezes nos iludimos com coisas, pessoas ou situações que juramos serem eternos? Nesta vida nada é eterno... É eterno apenas enquanto dura. Nem o casal de namorados que conviveu durante 8 meses, nem o casal de velhinhos que viveu junto há 60 anos, findando com a morte de um e depois do outro. Não... Nenhum deles durou pra sempre... A vida aqui neste mundo continuou. Foi eterno apenas enquanto durou. Na verdade, o grande problema da ilusão é o apego. 

“Na vida sentimental, quem muito se apega geralmente é desprezado”. - Meishu Sama

*Portanto não adianta jogar a culpa no outro. A culpa é exclusivamente nossa e é preciso coragem pra assumir. E não me julguem mal... Digo que não se apeguem porque ninguém pertence a ninguém. Apego gera sofrimento. Amor também, né? Mas amar sem apego é ter e dar liberdade na medida exata. Hum, acho que aprendi bem essa lição. Ficou bonito, né não? Que tal se apegar na medida certa? 

Apego demais = a mais do que deve. 

*O apego tem que ser natural, coisa de quem sente... e só... E é por medo de sofrer que as pessoas fogem do amor. Pobres coitados... Estão fugindo daquilo que é a essência da nossa vida. Acho que é por isso que o amor está cada vez mais raro.


O tema "apego" é muito vasto e dá muita escrita pra blog. Talvez o tenha finalizado nesta postagem... Talvez pinte sob uma outra perspectiva a qualquer momento.

No mais, aquele abraço!