quarta-feira, 20 de junho de 2012

SPECULUM MUNDI

O melhor livro que já li na minha vida chama-se "O Nome da Rosa", de Umberto Eco. Trata-se de um romance (se o cenário/tempo fosse mais atual, certamente seria um romance policial) que se passa em uma abadia medieval. Foi neste livro que li pela primeira vez o termo speculum mundi (espelho do mundo, em latim). Não me pergunte em que página, muito menos em que momento do livro ele aparece, mas me marcou profundamente. Adotei como uma expressão que me acompanhou pela vida inteira. Não sei ao certo, mas acredito que tudo isto ocorreu há uns oito anos atrás. Assim que acabei o livro compus uma música com este título. A letra fala basicamente sobre escolhas. As várias opções de caminhos que se apresentam ao longo das nossas vidas e, como temos que optar por apenas um deles, as consequências que temos que encarar por estas escolhas. Independente do trajeto que tomamos sempre deixamos sementes que, invariavelmente, darão frutos doces ou amargos. Como donos da semente, temos que colher e pôr na boca o fruto nascente. Vamos nos deliciar ou fazer caretas horríveis. A composição também ressalta as respostas que procuramos sem nunca encontrar. Talvez por ansiedade (esse é, sem dúvida, o meu caso). Talvez por imaturidade. Talvez por inexperiência. Talvez por orgulho. Talvez nada disso faça sentido e seja tudo uma grande baboseira. Mas assim como as respostas que não encontramos são os caminhos que escolhemos muitas vezes. Achamos que estamos no rumo certo... E...? Nos deparamos completamente perdidos. Escolha errada. Errada? Talvez não. Existe sempre um legado. A tal das sementes. Mas quando erramos feio as consequências são irreparáveis. Num sentido micro, conquistar o espelho é uma das tarefas mais difíceis que possa existir. Quem quiser ficar em paz tem que aceitar o espelho e a razão é bem simples: ele te reflete. Conquistar o espelho significa olhar a si próprio. Olhar pra ti antes mesmo de olhar pro outro. Talvez todos os caminhos levem ao mesmo lugar. Num sentido macro, o mundo é um espelho. Um espelho que reflete a todos. Ou seria o contrário?






Acima, capa do livro O Nome da Rosa.

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