quarta-feira, 29 de agosto de 2012

MEDO EM REFLEXÃO

*Gostaria muito de gritar para o mundo todas as coisas que sinto. Adoraria expor as minhas frases, minhas composições. Muito sobre mim está nelas. Mas tenho medo. Tenho medo ser roubado, lesado. Tenho medo de ser mal interpretado. Isso pode gerar problemas. Aliás, tenho medo de discutir os problemas. Acho que pra toda boa qualidade que carrego comigo, junto acompanha um grande defeito. Deles eu não tenho medo. Não tenho medo de errar. Não tenho medo de me mostrar enquanto ser humano. Quem conviveu ou convive comigo sabe o quanto é fácil me conhecer (mesmo bancando o misterioso de vez em quando, nunca dura muito tempo). E por incrível que possa parecer, estas pessoas me conhecem mais do que eu mesmo. Tudo o que existe de bom ou de ruim é muito perceptível. Com um leve sorriso no rosto agora, escrevo: não tenho medo de dizer que tenho medos.

*Eu tenho medo de perder. Odeio. Seja lá o que for (acho que isso explica até o fato de eu dificilmente publicar uma frase minha). Eu sempre entro pra ganhar, mas não tenho medo de reconhecer uma derrota. Por mais difícil que possa ser, de alguma forma eu reconheço. Me ponho no meu lugar. E a cada derrota busco aquilo que faço, talvez, de melhor: reflito. Descoberta - alegria - reflexão; surpresa - reflexão; decepção - tristeza - reflexão; derrota - tentativa desesperada de equilíbrio - reflexão...

*Bom é que nem todo medo do mundo é capaz de me impedir de buscar algo que eu deseje com todas as minhas forças, salvo quando antes eu tenha tido uma experiência negativa. Aí, por uma questão de sabedoria, é melhor aguardar o tempo mostrar o que deve ser feito. Quase sempre mostra (DESEJO - TEMPO - ESPERA: respeitar o tempo). É algo que aprendi recentemente e que, acredito, tem dado certo. Experiências difíceis - reflexão. As pessoas falam muito quando dominadas pela emoção. Se a gente se deixa levar, cai no erro da precipitação. Só o tempo é capaz de comprovar, ou não, o que é dito.

*Eu tenho medo de ser confundido, rsrsrs. Medo é diferente de covardia. "O medo tem alguma utilidade, a covardia não", já dizia Mahatma Gandhi. Às vezes em que fui covarde na minha caminhada, pode acreditar, me arrependi profundamente (o que não me torna um covarde). É... Acontece com todo mundo. Quem disser o contrário é um hipócrita mentiroso. Covardia nesse caso é não reconhecer.

*O medo está presente na vida de todos nós. Ayrton Senna (um dos meus grandes ídolos) revelou sentir medos. Dizia, é preciso conviver com ele sem encará-lo como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação. Na minha opinião, é algo absolutamente reversível. É preciso apenas adquirir (ou receber do outro) a confiança necessária.





O rei de meter a cara em tudo o que tá afim também tem seus medos... Por vezes, até de meter a cara.

"Por mais que eu lute contra a vontade afronta." Will Nascimento


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

AMOR COMO RETORNO NA HORA DA PARTIDA

*Ela chega para alguém que nos é próximo e inevitavelmente nos faz pensar e repensar na vida. É sempre um momento muito delicado. Por mais que estejamos fortes, nunca é fácil. Eu sabia há alguns dias que este seria o tema desta postagem mas ainda assim atrasei a publicação... Nunca é fácil... Nem falar, nem escrever.

*O pai do meu melhor amigo veio a falecer no último sábado (18/08) e, assim como em todas as outras vezes, andei muito reflexivo. Não era alguém com quem eu tinha uma convivência física muito próxima. Era alguém com quem eu tinha uma proximidade diferente: energia. A maneira de agir expansiva, sorridente, que por tantas vezes chega a contagiar todos aqueles que lhe circundam. Eu também me vejo assim. Às vezes até me sinto estranho pelo fato de as pessoas esquecerem que você (eu) é um ser-humano como qualquer outro. Se está mais pensativo, chovem indagações com ansiosas expressões no aguardo das respostas mais trágicas. Até parece que só uma tragédia é capaz de lhe cerrar o cenho de vez quando. Esperam pelo desague da mais profunda tristeza. 

*Mais o velho "Brodinho" (assim mesmo: brother aportuguesado no diminuitivo) ia mais além. Parece os tempos ruins pra ele eram infinitamente mais difíceis. Ah, vá! Nem velho o cara era... Um jovem de 52 anos. 

*O seu velório foi diferente de tudo o que eu já vi em toda minha vida. Você vai me chamar de louco, eu sei. Mas eu preciso dizer que foi lindo. Sim, lindo. Jamais presenciei tantos pronunciamentos de pessoas tão diferentes e com o mesmo discurso sobre alguém. Ah, a capacidade de conquistar e guardar amizades. Primoroso...

*Fiquei pensando na importância que os meus amigos tem pra mim. Claro, nem todos mundo tem o mesmo peso. Há os amigos em que as afinidades os aproximam mais da gente. Mas eu fui além destes. Pensei em Brodinho; pensei na capacidade de conquistar e guardar amizades. Pensei em quantas vezes ouvi alguém dizer minha simpatia era um disfarce para manter boas relações. Pensei em Brodinho de novo. Pensei no seu lindo velório. Aquilo era o resultado da simpatia e da aura iluminada de um ser que nasceu e viveu pra construir. Ah, a capacidade de conquistar e guardar amizades. Certamente foi um momento que contribuiu para que seu espírito partisse em paz, afinal, foi bombardeado de amor. Este foi o seu retorno.

*Pensei no meu melhor amigo. Pensei em como era possível eu sentir a sua dor quando recebi a ligação dele próprio com a notícia da partida de seu pai. Pensei em como é bom ter amigos. Lembrei que é maravilhoso amar. Percebi que, mais que ser amado, é esplendoroso SENTIR-SE amado.

*Há pessoas que são uma luz. Uma luz dentro de nossos corações que jamais irão se apagar.

*Espero que não tenham achado o papo de hoje muito fúnebre. Plantemos amor. Amor virá como retorno até na hora de nossa partida. Nada melhor para o nosso espírito.

"A morte é igual: falsa e verdadeira; mãe do início, avó do fim." - Oswaldo Montenegro.




Pensar na morte é pensar na vida. Celebremos a vida e a nossa capacidade de conquistar e guardar amizades.

Abraços fortes!

PS.: acabei de lembrar da minha última postagem, lembram? "Visão Panorâmica". Acho que nada é por acaso. http://will-nascimento.blogspot.com.br/2012/08/visao-panoramica.html

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

VISÃO PANORÂMICA

Olhando daqui de cima 
Eu vejo o mundo que eu deveria ter vivido
Tudo passa rápido 
E nada faz sentido

Daqui eu vejo: 
O que se faz e o que se pensa
Não fazem diferença 
Quando há vontade de viver

Cinzas ao mar, sete palmos do chão
Buquês de rosas, andar na contramão.

(Will Nascimento)

*Me sinto curioso em saber o que estava pensando exatamente quando escrevi este texto (há uns 12 anos atrás), que virou canção. Por mais que eu me esforce não consigo recordar o que me motivou a rabiscar frase por frase do que aí está escrito. É bem diferente das outras letras que comumente escrevo, não tão curtas. Todavia, tudo o que eu precisava dizer, traspassei nestas poucas linhas.

*Nem sei se dá pra notar, mas o personagem do texto não é alguém que esteja entre nós, em carne. Sim, um espírito. Alguém que, depois de uma jornada, passa a enxergar a vida a partir de um ângulo privilegiado. E só assim ele se dá conta de que o tempo passou muito rápido. Mais: que muitas coisas e valores dos quais se importava (ou que lhe era imposto pela cultura de uma sociedade tão medíocre) na verdade não faziam a menor diferença.

*O que faz diferença mesmo são a intensidade e a vontade que impregnamos em tudo o que nos dispomos a realizar. Ora... A vida é o que temos de mais precioso. Então por que não a encararmos com uma vontade tão intensa, mas tão forte que chegue de alguma forma a contagiar aqueles que nos são próximos?

*Ah, as dificuldades do caminho... Sei que elas existem. Sei também que elas precisam existir. São as pedras que encontramos pelo caminho que diferenciam os que sabem o valor que tem a vida dos que não entendem nem mesmo o que fazem neste mundo.

*É... É preciso vontade.



Talvez o espírito do texto seja uma personificação de mim mesmo. Da forma como eu encaro e ajo nesta vida. Por vezes incompreendido por andar na contramão...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

HOJE, COM CERTEZA, CONTINUO DUVIDANDO

*Não me recordo se eu fui uma criança de muitos "por que's" ou "por quê's". A dúvida é algo que permeia a todos nós, reles mortais, desde o início dos tempos. Criacionismo ou evolucionismo, chegamos até aqui através da busca por respostas às nossas curiosidades.

*Estive lembrando (e dado muitas gargalhadas) de uma situação ocorrida há uns 10 anos atrás. "Batendo um papo", uma ex namorada me jogou na cara que eu não era mais uma criança para sustentar "achismos". Eu fiquei tão encucado que a cena jamais fugiu da minha memória. Cara! Se eu não tenho mais idade pra "achar", quem é realmente capaz de acreditar que tem certeza sobre absolutamente tudo? Ser adulto é não duvidar? Talvez ser adulto seja fingir certezas... Muito prazer: sou uma eterna criança.

*A linha que separa dúvidas e certezas é muito frágil. Talvez nem exista. Mas na cabeça das pessoas, possui uma estrutura do tamanho da Muralha da China. Nossas certezas vão e vem, se constroem e se desfazem na mesma proporção e intensidade. Quantas pessoas tivemos certeza que amávamos? Amamos, desamamos... amamos de novo... Pessoas diferentes... Até a mesma pessoa... É claro que este é um exemplo bem específico. Muitos leitores aqui estão há vários anos com a primeira pessoa em que sua certeza declarou amor. Mas o ser humano não gosta mesmo de dar o braço a torcer (pra quem se enquadra no exemplo). Parece que estou vendo algumas declarações: "Mas é porque não era amor de verdade." Que seja. Em dado momento você nem chegou a postular tal possibilidade. Repito: é só um exemplo. Não quero falar sobre amor. Meu papo hoje não é micro. É macro. Escrevo hoje em âmbito geral.

*Outra coisa que enxergo com frequência é a confusão sobre crença e verdade. Como se fosse possível juntá-las. Cada um que defenda a sua como A CORRETA. Como provar? Fé é um sentimento igual para qualquer pessoa que creia, independente de dogmas e doutrinas. Apenas sentimos. Não sei se minha formação como historiador contribuiu para a construção da mentalidade que defendo hoje. Mas, em História, não existe verdade absoluta. Pelo menos não hoje. Um dia a História afirmou outras certezas...

*Não me confunda. Não sou tão idiota. Também tenho minhas certezas. Mas só confio planamente nas Leis Naturais, que, para mim, são certeiras e imutáveis. Se estou certo ou não é outra história, rsrsrs.

*Pessoalmente, acredito que minhas dúvidas me servem para mostrar o quão humano eu sou. Tenho todos os defeitos que se pode acumular na vida, menos o da prepotência de que tenho certeza acerca de tudo. 



Será que minha ex namorada continua adulta, ou regrediu em seu processo evolutivo?

A todos deixo o meu abraço!