quarta-feira, 22 de agosto de 2012

AMOR COMO RETORNO NA HORA DA PARTIDA

*Ela chega para alguém que nos é próximo e inevitavelmente nos faz pensar e repensar na vida. É sempre um momento muito delicado. Por mais que estejamos fortes, nunca é fácil. Eu sabia há alguns dias que este seria o tema desta postagem mas ainda assim atrasei a publicação... Nunca é fácil... Nem falar, nem escrever.

*O pai do meu melhor amigo veio a falecer no último sábado (18/08) e, assim como em todas as outras vezes, andei muito reflexivo. Não era alguém com quem eu tinha uma convivência física muito próxima. Era alguém com quem eu tinha uma proximidade diferente: energia. A maneira de agir expansiva, sorridente, que por tantas vezes chega a contagiar todos aqueles que lhe circundam. Eu também me vejo assim. Às vezes até me sinto estranho pelo fato de as pessoas esquecerem que você (eu) é um ser-humano como qualquer outro. Se está mais pensativo, chovem indagações com ansiosas expressões no aguardo das respostas mais trágicas. Até parece que só uma tragédia é capaz de lhe cerrar o cenho de vez quando. Esperam pelo desague da mais profunda tristeza. 

*Mais o velho "Brodinho" (assim mesmo: brother aportuguesado no diminuitivo) ia mais além. Parece os tempos ruins pra ele eram infinitamente mais difíceis. Ah, vá! Nem velho o cara era... Um jovem de 52 anos. 

*O seu velório foi diferente de tudo o que eu já vi em toda minha vida. Você vai me chamar de louco, eu sei. Mas eu preciso dizer que foi lindo. Sim, lindo. Jamais presenciei tantos pronunciamentos de pessoas tão diferentes e com o mesmo discurso sobre alguém. Ah, a capacidade de conquistar e guardar amizades. Primoroso...

*Fiquei pensando na importância que os meus amigos tem pra mim. Claro, nem todos mundo tem o mesmo peso. Há os amigos em que as afinidades os aproximam mais da gente. Mas eu fui além destes. Pensei em Brodinho; pensei na capacidade de conquistar e guardar amizades. Pensei em quantas vezes ouvi alguém dizer minha simpatia era um disfarce para manter boas relações. Pensei em Brodinho de novo. Pensei no seu lindo velório. Aquilo era o resultado da simpatia e da aura iluminada de um ser que nasceu e viveu pra construir. Ah, a capacidade de conquistar e guardar amizades. Certamente foi um momento que contribuiu para que seu espírito partisse em paz, afinal, foi bombardeado de amor. Este foi o seu retorno.

*Pensei no meu melhor amigo. Pensei em como era possível eu sentir a sua dor quando recebi a ligação dele próprio com a notícia da partida de seu pai. Pensei em como é bom ter amigos. Lembrei que é maravilhoso amar. Percebi que, mais que ser amado, é esplendoroso SENTIR-SE amado.

*Há pessoas que são uma luz. Uma luz dentro de nossos corações que jamais irão se apagar.

*Espero que não tenham achado o papo de hoje muito fúnebre. Plantemos amor. Amor virá como retorno até na hora de nossa partida. Nada melhor para o nosso espírito.

"A morte é igual: falsa e verdadeira; mãe do início, avó do fim." - Oswaldo Montenegro.




Pensar na morte é pensar na vida. Celebremos a vida e a nossa capacidade de conquistar e guardar amizades.

Abraços fortes!

PS.: acabei de lembrar da minha última postagem, lembram? "Visão Panorâmica". Acho que nada é por acaso. http://will-nascimento.blogspot.com.br/2012/08/visao-panoramica.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário