Eu vejo o mundo que eu deveria ter vivido
Tudo passa rápido
E nada faz sentido
Daqui eu vejo:
O que se faz e o que se pensa
Não fazem diferença
Quando há vontade de viver
Cinzas ao mar, sete palmos do chão
Buquês de rosas, andar na contramão.
(Will Nascimento)
*Me sinto curioso em saber o que estava pensando exatamente quando escrevi este texto (há uns 12 anos atrás), que virou canção. Por mais que eu me esforce não consigo recordar o que me motivou a rabiscar frase por frase do que aí está escrito. É bem diferente das outras letras que comumente escrevo, não tão curtas. Todavia, tudo o que eu precisava dizer, traspassei nestas poucas linhas.
*Nem sei se dá pra notar, mas o personagem do texto não é alguém que esteja entre nós, em carne. Sim, um espírito. Alguém que, depois de uma jornada, passa a enxergar a vida a partir de um ângulo privilegiado. E só assim ele se dá conta de que o tempo passou muito rápido. Mais: que muitas coisas e valores dos quais se importava (ou que lhe era imposto pela cultura de uma sociedade tão medíocre) na verdade não faziam a menor diferença.
*O que faz diferença mesmo são a intensidade e a vontade que impregnamos em tudo o que nos dispomos a realizar. Ora... A vida é o que temos de mais precioso. Então por que não a encararmos com uma vontade tão intensa, mas tão forte que chegue de alguma forma a contagiar aqueles que nos são próximos?
*Ah, as dificuldades do caminho... Sei que elas existem. Sei também que elas precisam existir. São as pedras que encontramos pelo caminho que diferenciam os que sabem o valor que tem a vida dos que não entendem nem mesmo o que fazem neste mundo.
*É... É preciso vontade.
Talvez o espírito do texto seja uma personificação de mim mesmo. Da forma como eu encaro e ajo nesta vida. Por vezes incompreendido por andar na contramão...

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